Nada como uma boa noite de sono. Por incrÃvel que pareça, no entanto, cerca de 40% dos brasileiros não conseguem não são todos os que conseguem alcançar o descanso merecido nos braços de Morfeu.
A alta estatÃstica, resultado de uma pesquisa com 40 mil pessoas feita pela Academia Brasileira de Neurologia, engloba mais de cem tipos de distúrbios do sono que atrapalham o dia a dia de adultos e crianças.
“Boa parte da população adulta brasileira vive privada de sono voluntariamente hoje em dia. As pessoas dormem cada vez mais tarde e acordam cada vez mais cedo, gerando um acúmulo de cansaço. Chega um momento em que o sono se torna involuntárioâ€, explica a vive-presidente da sociedade carioca do sono Andrea Bacelar.
Só esta semana, no Rio, pelo menos dois episódios que vieram a público mostraram o perigo que a falta de um bom descanso pode representar. Na última quarta-feira (2), um policial civil foi encontrado dormindo dentro de um carro da Polinter no Aterro do Flamengo, Zona Sul da cidade, com um fuzil dentro do carro, até que o quartel de bombeiros da região foi acionado.
Na véspera, um rapaz, de 21 anos, adormeceu a tal ponto dentro de seu carro num sinal de trânsito, em Copacabana, que só acordou depois motoristas e pedestres que não chamar sua atenção chamaram a polÃcia e os policiais quebraram o vidro do automóvel. O jovem, que não apresentava sinais de estar alcoolizado, disse em depoimento que emendou a volta de uma viagem com uma festa.
“O sono do dia nunca é igual ao da noite. faz parte do nosso ciclo biológico. Antigamente não se avançava muito pela noite. Com a luz elétrica veio o rádio, a TV, a internet e essa noite que não se apaga nunca”, pondera o pneumologista Flávio Magalhães, presidente da comissão do sono da Sociedade Brasileira de Pneumologista.
Sonolência, mal humor, alteração da memória e da libido são sintomas
Um dos distúrbios do sono mais comuns é a apnéia do sono, quando uma obstrução da região atrás da garganta durante o sono faz com que a pessoa pare de respirar e acorde várias vezes ao longo da noite.
“Há quem acorde 15 vezes por hora e que acorde mais de 30 por hora. Já tive pacientes que morreram por falta de oxigênioâ€, detalha Andrea, que enfatiza que, na maioria das vezes, são pessoas sedentárias, estão fora do peso e roncam.
Sonolência, mau humor, alteração da memória e da libido são alguns dos sintomas encontrados nos adultos com apnéia. Nas ocorrências em crianças, no entanto, os indÃcios são hiperatividade e déficit de atenção. Comer carboidratos à noite, fazer atividades fÃsicas menos de quatro horas antes de dormir, alta ingestão de cafeÃna e a alteração de hormônios na menopausa também podem aumentar os Ãndices da doença.
Já a narcoplexia tem como principal sintoma a sonolência excessiva diurna. “São pessoas que cochilam enquanto comem, no meio de uma conversa e tem outros sintomas como a cataplexia, que é quando há a perda do tônus muscular e a pessoa dorme e deixa a cabeça cair ou cai mesmo da cadeira. Há ainda a paralisia do sono, em que você desperta, quer se mexer por alguns instantes e o corpo não corresponde, e a alucinação hipinagógica, que é quando, apesar de estar em estado de vigÃlia, sonha ainda acordadoâ€, enumera Andrea.
Cura pode vir com mudança de hábito ou até cirurgia
Para diagnosticar o problema, o paciente deve procurar fazer uma polissonografia. Um quarto em que a pessoa terá seu sono monitorado por câmeras e eletrodos que medem sua atividade cardÃaca, cerebral, ronco, movimentos e oxigenação.
“Já aconteceu de um paciente vir à clÃnica trazido pela mulher, que reclamava que ele roncava e a chutava durante a noite. Ele negava. Quando viu o vÃdeo e o resultado, disse que passou a dar mais valor a ela. Foram registrados 460 chutes só naquela noite”, conta Flávio.
Em boa parte dos casos, apesar de não haver cura, o controle das doenças são sentidos instantaneamente pelos doentes com o uso de aparelhos e máscaras modeladas por dentistas para aliviar a respiração durante a noite.
“Hoje o tratamento cirúrgico não é o mais recomendado porque a doença evolui com o tempo e a cirurgia pode deixar de funcionar. Mas só de consegur controlar, a vida do indivÃduo se transforma”, diz Flávio.
Calmantes não melhoram qualidade do sono
O principal problema da cura ou do controle dos distúrbios do sono é a automedicação, segundo a especialista. “Muitos casos a gente pode resolver apenas com mudanças de hábitos para se ter um sono melhor. Muitos pacientes chegam ou com uso excessivo de calmantes ou de estimulantesâ€, explica Andrea.
“O que os calmantes fazem é um relaxamento muscular que facilita o inÃcio do sono mas não dão qualidade”, completa Flávio, lembrando que os distúrbios costumam ser mais incidentes nos homens até os 55 anos. Daà por diante, por conta da menopausa, o número de ocorrências começa a se igualar nos dois sexos.

(2 avaliações, média: 4.5 de 5)